O comandante e o segundo comandante dos Bombeiros Voluntários de Penamacor apresentaram a demissão na sequência de um protesto protagonizado por 17 operacionais da corporação, que no passado dia 13 de janeiro colocaram os capacetes no chão da parada do quartel, manifestando descontentamento com o comando.
Os bombeiros, que representam a maioria do corpo ativo — composto por 27 elementos — enviaram uma carta à direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Penamacor a solicitar a saída do comandante Bruno Cunha, em funções desde 2022, e do segundo comandante Bruno Rito. Os restantes pontos da missiva não foram tornados públicos, ficando a sua divulgação dependente da evolução do processo.
O primeiro a apresentar a demissão foi o segundo comandante, Bruno Rito, que encerrou um ciclo de três anos na corporação. Numa nota de despedida, assume sair “de cabeça erguida e com o sentido de dever cumprido”, apesar da “mágoa e sentimento de injustiça”, destacando vários projetos desenvolvidos, entre os quais a formação de novos bombeiros, a melhoria das condições de trabalho, a requalificação do quartel, a aquisição de viaturas e equipamentos, a criação da segunda Equipa de Intervenção Permanente e a valorização salarial dos bombeiros assalariados.
Pouco depois, tornou-se pública a demissão do comandante Bruno Cunha, que recorreu às redes sociais para anunciar a decisão. “Entrei quando ninguém quis e saio de consciência tranquila”, escreveu, sublinhando que tentou sempre servir os bombeiros e a população, reconhecendo, contudo, que decisões difíceis nem sempre reúnem consenso.
O presidente da direção, António Luís Beites, garantiu que o socorro à população está assegurado 24 horas por dia e classificou a situação como uma “questão interna”, que será analisada e resolvida pela direção.
Entretanto, também na região, os Bombeiros Voluntários da Covilhã vivem um período de transição, estando a corporação a ser comandada interinamente pelo oficial mais graduado, após a demissão do comandante Ricardo Vilhena e dos seus adjuntos. A solução visa evitar um vazio de comando, enquanto a direção nomeia uma nova equipa.
No distrito de Castelo Branco, recorde-se ainda que a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Fundão continua a lidar com as consequências de um caso de alegados abusos sexuais no quartel, envolvendo 11 operacionais, atualmente sob investigação judicial.
Fonte:JN / Foto:Arquivo