O patologista Manuel Sobrinho Simões, Prémio Pessoa em 2002, sublinha que “não podemos falar em cura, mas falamos em controlo” do cancro. Segundo o investigador, o número de pessoas que morrem de cancro não tem aumentado, enquanto a taxa de controlo melhora todos os anos.
Os sintomas do cancro do pâncreas, por exemplo, surgem muitas vezes tarde e são pouco específicos, como dor abdominal que se irradia para as costas, perda de peso inexplicável ou alterações digestivas. Por isso, rastreio, prevenção e informação são fundamentais.
“Todos os anos, aumenta o número de novos casos de cancro, mas não aumenta o número de mortes. Isto significa que estamos a melhorar a taxa de controlo”, explicou Sobrinho Simões à Lusa. O investigador ressalva que não haverá uma vacina, mas cada doença e cada paciente podem ser geridos para se tornar uma condição crónica controlável.
A quinta edição do ciclo “Tratar o Cancro por Tu” arranca na próxima terça-feira e prolonga-se até 12 de março, em várias cidades portuguesas, incluindo Matosinhos, Guarda, Évora, Viana do Castelo, Guimarães e Angra do Heroísmo. O objetivo é falar diretamente com os cidadãos, desmistificar a doença e promover estratégias de prevenção, deteção precoce e tratamento.
Em Matosinhos, a sessão inaugural terá a presença de Elisabete Weiderpass, diretora da Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro (IARC), que destaca a importância de informar a população de forma clara e empática. Entre os temas abordados ao longo do ciclo estão a medicina oncológica de precisão, hereditariedade e fatores de risco, bem como estratégias de prevenção e rastreio.
Sobrinho Simões reforça: dois terços dos doentes com cancro já não morrem da doença, incluindo 70% dos casos de cancro da mama. Apesar disso, alerta que apenas 40% dos cancros podem ser antecipados com rastreio, sendo necessário educar e capacitar os cidadãos para gerir a doença de forma informada.
O ciclo “Tratar o Cancro por Tu” visa tornar a comunicação científica acessível, quebrar tabus e colocar o controlo do cancro ao alcance de todos.

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