A primeira volta das presidenciais deixou a direita moderada e o PSD em silêncio estratégico. Luís Marques Mendes e Luís Montenegro optaram por não apoiar explicitamente nenhum candidato, deixando António José Seguro e André Ventura disputar a segunda volta sem indicação do principal partido de centro-direita.
Para analistas políticos, esta postura abre uma oportunidade a Ventura para se consolidar como líder da direita, enquanto Seguro mantém vantagem na corrida presidencial, beneficiando de um eleitorado moderado sem orientação partidária clara. Margarida Davim, comentadora da CNN Portugal, considera que Montenegro ficou “a meio da ponte”, correndo o risco de empoderar a radicalização da direita e fragilizar o PSD.
O politólogo João Pacheco alerta que o silêncio estratégico do PSD pode transformar-se num “trunfo de Ventura”, que já se apresenta como porta-voz da direita. Rui Calafate sublinha que o socialista parte favorito, mas Ventura “já ganhou o que queria: embaraço ao PSD e ganho de espaço político”.
Mesmo reconhecendo que apoiar Seguro poderia facilitar a vida política de Montenegro, o PSD optou pela neutralidade, temendo desagradar a parte do eleitorado que se identificou com a extrema-direita ou partidos de centro. Esta escolha suscita críticas de figuras como Cotrim de Figueiredo, que considera um “erro estratégico” colocar interesses partidários acima do interesse nacional.
Com a segunda volta marcada, a disputa promete ser intensa: Seguro parte favorito, mas o silêncio do PSD e o protagonismo de Ventura podem redefinir o equilíbrio da direita em Portugal.
Fonte: CNN portugal / Legenda: Imagem ilustrativa da segunda volta das presidenciais entre António José Seguro e André Ventura.