As eleições presidenciais não se decidiram apenas nas urnas. Para lá dos votos, houve um segundo confronto decisivo: o das contas finais das campanhas. E aqui o desfecho foi claro. António José Seguro não só venceu politicamente como saiu financeiramente reforçado, tornando-se o candidato com o melhor saldo graças à subvenção pública do Estado.
Ao cruzar os resultados eleitorais com os gastos declarados e as regras de financiamento, percebe-se que a campanha de Seguro foi a mais eficiente do ponto de vista financeiro. O apoio estatal permitiu-lhe fechar contas no positivo, num cenário em que também André Ventura e João Cotrim de Figueiredo conseguiram evitar prejuízos e terminar a corrida presidencial com saldo favorável.
No extremo oposto surge Luís Marques Mendes. O candidato apoiado pelo Governo não foi apenas penalizado pelo resultado eleitoral, mas também pelas contas da campanha. Entre despesas elevadas e uma subvenção insuficiente para cobrir os encargos, Marques Mendes termina estas presidenciais como o grande derrotado financeiro, acumulando um prejuízo superior a 500 mil euros.
Este “campeonato paralelo” das presidenciais expõe o peso decisivo da subvenção pública no equilíbrio das campanhas e mostra que uma boa estratégia eleitoral pode traduzir-se não só em votos, mas também em contas certas. Para uns, as presidenciais trouxeram ganhos políticos e financeiros; para outros, ficaram os votos perdidos… e um rombo significativo no orçamento.
FONTE:JN / FOTO:ARQUIVO