Investigação aponta para a existência de uma rede criminosa que, mesmo com o seu líder detido, mantinha uma campanha de terror e perseguição contra comunidades imigrantes em Portugal.
A Polícia Judiciária (PJ) desencadeou, esta manhã, uma ofensiva de larga escala para neutralizar o grupo de extrema-direita "1143". A operação resultou no cumprimento de mais de 30 mandados de detenção, visando uma estrutura suspeita de operar sob a égide da associação criminosa, com o propósito explícito de disseminar o ódio e a violência.
No centro da investigação estão crimes graves que têm sobressaltado a opinião pública nos últimos meses. Além do incitamento ao ódio e da discriminação racial e religiosa, os detidos são suspeitos de envolvimento direto em episódios de violência física, perseguição e ameaças. Entre os casos sob análise, destaca-se a agressão a um cidadão indiano numa estação de serviço em Aveiras e os desacatos ocorridos durante as celebrações do 25 de Abril.
O Comando a partir da Prisão
Um dos pontos mais alarmantes da investigação prende-se com o papel de Mário Machado. Apesar de se encontrar atualmente detido, a PJ recolheu indícios de que o conhecido rosto do movimento neonazi em Portugal continuará a exercer controlo sobre a organização. As autoridades suspeitam que Machado utiliza canais de comunicação a partir do estabelecimento prisional para transmitir ordens e diretrizes, mantendo a coesão e o ímpeto violento do grupo.
A Ofensiva Digital e Física
A monitorização de redes sociais e plataformas digitais foi crucial para este desfecho. A PJ analisou um vasto volume de conteúdos xenófobos que serviam não só para propaganda, mas também para coordenar ações de intimidação contra imigrantes.
Os detidos serão presentes a tribunal nos próximos dias para a aplicação das medidas de coação. Com esta operação, as autoridades pretendem desferir um golpe decisivo na estrutura logística e operacional de um dos grupos radicais mais ativos no país.
Fonte - Sic Notícias