A Rádio Festival testemunhou esta sexta-feira, na Super Bock Arena, a primeira de três noites esgotadas de Pedro Abrunhosa. Foi um concerto onde o silêncio atento do público serviu de moldura para as histórias que o artista decidiu partilhar, transformando a música num momento de profunda humanidade.
A história do vestido: da notícia para a canção
Um dos momentos mais tocantes foi quando Abrunhosa recordou uma história que leu um dia na comunicação social: a de uma mulher negra a quem, no passado, foi impedida a compra de um vestido de noiva por puro preconceito. O músico partilhou como o trauma só foi curado décadas depois, quando as filhas lhe ofereceram o vestido para que voltasse a casar. "Oxalá o meu vestido ainda se lembre de mim" tornou-se o mote para refletir sobre a justiça e a esperança que nunca deve morrer.
"Leva-me pr'a casa": Uma homenagem à perda e à família
A emoção subiu de tom na introdução de "Leva-me pr'a casa". O artista, que em espetáculos anteriores já tinha revelado ter escrito esta letra após a morte da filha de um amigo, escolheu ontem focar-se na sua própria vivência familiar. Num momento de grande vulnerabilidade, prestou homenagem a todos os pais que perdem um filho, dando o exemplo dos seus próprios pais, que passaram pela dor de perder um dos seus filhos — o irmão de Pedro Abrunhosa. Foi um tributo sentido a todos os que guardam a memória de alguém que partiu cedo demais.
O Porto rendido e de pé
Com os vídeos de Carlos Mata a darem vida visual a cada tema, o espetáculo foi um convite ao recolhimento e à paz que o novo álbum, "Inverbo", tanto reclama. Mas, no final, o silêncio deu lugar a uma explosão de carinho: a Super Bock Arena despediu-se com uma ovação persistente, com o público todo de pé, celebrando o regresso deste ícone da cidade que continua a provar que "há sempre uma luz depois do escuro".





Fonte - Rádio Festival (Jornalista Marlene Gonçalves)
Imagem - Rádio Festival ( Fotógrafo Vítor Neves )