A segunda volta das eleições presidenciais promete ser uma das mais imprevisíveis da história recente da democracia portuguesa, marcada por elevada incerteza quanto à participação eleitoral e ao comportamento dos eleitores cujos candidatos ficaram fora da corrida final.
Segundo politólogos ouvidos pela CNN Portugal, a presença de André Ventura altera profundamente a lógica tradicional das segundas voltas, normalmente associadas a maior abstenção. Desta vez, a forte rejeição ao líder do Chega poderá funcionar como fator de mobilização, levando às urnas eleitores que, noutras circunstâncias, poderiam optar por não votar.
A ausência de indicações claras de voto por parte de figuras como o primeiro-ministro Luís Montenegro, a Iniciativa Liberal ou Henrique Gouveia e Melo contribui para um cenário mais volátil, com risco de dispersão de votos ou aumento da abstenção e do voto em branco.
Do lado de António José Seguro, vencedor da primeira volta, tem-se registado um alargamento de apoios políticos, muitas vezes assumidos mais como voto contra Ventura do que como adesão plena ao candidato. Já André Ventura mantém uma base eleitoral fiel, embora os especialistas considerem difícil que consiga crescer o suficiente para alcançar a maioria absoluta necessária.
Independentemente do desfecho, os analistas sublinham que a chegada de Ventura à segunda volta representa, por si só, um ganho político relevante, reforçando a projeção da extrema-direita no panorama político nacional.
Fonte:CNN PORTUGAL
Legenda: Imagem ilustrativa da segunda volta das presidenciais entre António José Seguro e André Ventura.