Com uma taxa de letalidade que pode atingir os 75%, o vírus Nipah voltou a surgir na região de Calcutá após 19 anos. Autoridades isolam cerca de 100 contactos e vários países asiáticos já reforçaram o controlo em aeroportos.
As autoridades de saúde do estado de Bengala Ocidental, na Índia, estão a correr contra o tempo para conter um surto do vírus Nipah (NiV) detetado em meados de janeiro. Até ao momento, foram confirmados pelo menos cinco casos de infeção, a maioria envolvendo profissionais de saúde de um hospital privado em Barasat, a cerca de 25 quilómetros de Calcutá.
Profissionais de saúde na linha da frente
O surto teve origem numa transmissão hospitalar (nosocomial), depois de uma equipa médica ter tratado um paciente com sintomas graves antes de a infeção ser confirmada. Entre os infetados encontram-se duas enfermeiras, um médico e um assistente hospitalar. Relatos oficiais indicam que as enfermeiras permanecem em estado extremamente crítico, em coma e sob ventilação mecânica, devido a uma encefalite (inflamação cerebral) aguda.
Medidas de contenção e vigilância global
Para evitar uma propagação em larga escala de um vírus para o qual não existe vacina nem tratamento específico, o governo indiano implementou medidas rigorosas:
Quarentena: Cerca de 100 pessoas que estiveram em contacto direto com os doentes foram isoladas.
Rastreio: Mais de 180 amostras de contactos suspeitos foram testadas, tendo a maioria dado resultado negativo até à data.
Alerta Internacional: Países como a Tailândia, Nepal, Vietname e Taiwan elevaram os seus níveis de vigilância, reintroduzindo medições de temperatura e controlos de saúde em aeroportos para viajantes provenientes da região afetada.
Um patógeno de alto risco
O vírus Nipah é classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um "patógeno prioritário" devido ao seu potencial epidémico. Transmitido originalmente por morcegos frugívoros (através de fruta ou fluidos contaminados), o vírus pode passar de pessoa para pessoa, provocando desde sintomas gripais a problemas respiratórios graves e colapso neurológico fatal em 48 horas.
Embora o risco de uma pandemia global seja considerado baixo neste momento pelos especialistas, a longa janela de incubação do vírus (que pode chegar aos 45 dias) obriga as autoridades a manterem a vigilância máxima nas próximas semanas.
Fonte - Reuters / OMS (Organização Mundial da Saúde): Consulta o portal "Disease Outbreak