Um homem de 78 anos morreu na terça-feira, no Seixal, depois de ter aguardado quase três horas por assistência do INEM. O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) confirmou o caso e reconhece que o novo sistema de triagem pode ter tido impacto no desfecho.
De acordo com a cronologia do atendimento, o pedido de ajuda foi feito às 11h20 e classificado como prioridade 3, que prevê a mobilização de meios no prazo máximo de 60 minutos. No entanto, a viatura médica só foi enviada às 14h09, depois de sucessivos contactos a questionar a demora.
Nos primeiros minutos após a chamada, ficou registado que a vítima tinha caído e apresentava agitação, confusão e sonolência. Apesar disso, a falta de ambulâncias disponíveis na zona manteve-se ao longo de mais de uma hora. Já perto das 14h00, nova chamada deu conta de paragem cardiorrespiratória.
O presidente do STEPH, Rui Lázaro, afirmou que o modelo de triagem, implementado no início do ano, “provavelmente contribuiu” para o desfecho, defendendo que, no sistema anterior, a procura de ambulância teria sido imediata. O dirigente alerta ainda para denúncias diárias de atrasos superiores aos tempos previstos, com situações semelhantes registadas noutras regiões do país.
O novo sistema define cinco níveis de prioridade — de emergente a não urgente — e estabelece tempos máximos de resposta, à semelhança do praticado nos serviços de urgência hospitalar. A medida tem sido alvo de críticas por, alegadamente, deixar doentes à espera mesmo quando existem meios disponíveis.
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