A rutura de stock da quetiapina em Portugal está a levar famílias a recorrer ao estrangeiro e a pagar dez vezes mais pelo tratamento.O sistema de saúde português enfrenta uma falha crítica no fornecimento de medicamentos essenciais para o tratamento da esquizofrenia e da depressão grave. O fármaco quetiapina de libertação prolongada — um pilar terapêutico para milhares de pacientes — desapareceu das prateleiras das farmácias nacionais, deixando os utentes numa situação de vulnerabilidade extrema.
Segundo o Infarmed, a origem do problema reside numa falha de produção numa unidade industrial na Grécia, afetando tanto as marcas de referência como os medicamentos genéricos. Embora o regulador preveja uma normalização gradual entre fevereiro e junho deste ano, o vazio atual obriga a ajustes clínicos imediatos.
O Custo da Saúde Fora de Portas
Para muitos, a espera não é uma opção. Filipe Durães, que convive com este diagnóstico há 30 anos, ilustra a gravidade do cenário. Perante a ausência do fármaco em Portugal, o seu pai teve de recorrer a contactos em Espanha para garantir a continuidade do tratamento. O impacto financeiro é brutal: duas caixas compradas no país vizinho custaram 145 euros, um valor que contrasta drasticamente com os 14 euros que o doente pagaria habitualmente no mercado nacional.
Riscos Terapêuticos
Enquanto o fornecimento não é reposto, as alternativas passam por:
Ajustes de dosagem: Substituição pela versão de libertação imediata, o que pode alterar a forma como o organismo reage ao tratamento.
Esforço financeiro: Importação direta de medicamentos, acessível apenas a quem dispõe de meios económicos.
A situação coloca em alerta associações de doentes e profissionais de saúde, que temem retrocessos na estabilidade clínica de pacientes que dependem de uma medicação rigorosa e contínua.

Fonte:Sic Noticias