O total de vítimas das fortes chuvas em Moçambique subiu para 112 mortos, com três pessoas desaparecidas e 99 feridos, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). O período de cheias, que se prolonga desde outubro, afetou 645.781 pessoas, equivalentes a 122.863 famílias, deixando 4.883 casas totalmente destruídas e 11.233 parcialmente danificadas.
O governo moçambicano decretou alerta vermelho nacional após constatar o agravamento da situação, que afeta 69 centros de acomodação com 70.488 pessoas, das 55.722 já evacuadas das áreas de risco. Além das residências, a catástrofe danificou 306 escolas, 56 unidades sanitárias, 44 casas de culto, 7 pontes, 27 aquedutos, 2.515 km de estradas e 155 postes de eletricidade.
A agricultura sofreu perdas severas: 165.841 hectares foram afetados, incluindo 73.695 hectares totalmente perdidos, prejudicando 111.535 agricultores. O impacto também atinge a pecuária, com 38.770 cabeças de gado mortas, entre bovinos, caprinos e aves. Estima-se que 40% da província de Gaza esteja submersa, e vários distritos de Maputo encontram-se inundados.
Para coordenar os esforços, o Governo montou um centro de coordenação nacional em Xai-Xai, liderado pelo porta-voz Inocêncio Impissa. As operações de resgate continuam, com seis helicópteros e quatro aeronaves em ação, retirando famílias sitiadas em telhados de casas, árvores ou veículos, principalmente nas províncias de Maputo e Gaza.
A circulação rodoviária permanece severamente afetada: as estradas nacionais 1 e 2 estão intransitáveis devido à subida das águas, complicando ainda mais a logística de socorro. As autoridades alertam para o agravamento da situação, pois as barragens, incluindo de países vizinhos, tiveram de aumentar descargas por falta de capacidade, intensificando a inundação de áreas já críticas.

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