A partir de agora, médicos, enfermeiros e técnicos terão de recorrer a entidades privadas para obter certificações vitais, como o suporte de vida. A medida está a gerar polémica devido aos custos e a possíveis conflitos de interesses.O INEM decidiu colocar um fim à disponibilização gratuita de cursos certificados para os seus operacionais. Em causa estão formações fundamentais para o socorro pré-hospitalar, incluindo o Suporte Básico e Avançado de Vida (adulto e pediátrico), além da certificação obrigatória para quem trabalha em ambulâncias.
O que muda para os profissionais?
Com esta diretiva, os profissionais de saúde e técnicos de emergência deixam de ser formados internamente pelo instituto. As novas regras impõem:
Recurso ao privado: A formação terá de ser feita em entidades externas com acreditação internacional.
Encargos financeiros: Estima-se que cada curso possa custar cerca de 500 euros, um valor que terá de ser suportado pelos próprios profissionais.
Tripulantes de Ambulância: No caso dos bombeiros, a instrução transita para a Escola Nacional de Bombeiros, mas as corporações já avisaram que não têm verbas para cobrir estes novos custos.
O papel do INEM e a polémica
O instituto passará a focar-se apenas na "formação institucional", que se resume à introdução ao sistema de emergência e protocolos operacionais específicos.
A decisão está a ser recebida com forte contestação, não só pelo impacto no bolso dos trabalhadores, mas também pelo contexto ético. Segundo a TSF, o atual presidente do INEM é fundador da Ocean Medical, uma das principais empresas privadas que comercializa estas certificações internacionais e que está sob o radar do Ministério Público por suspeitas de ligações privilegiadas com o instituto.
Para já, o INEM garante um período de transição para quem já tem cursos a decorrer, assegurando que estes serão concluídos nos moldes antigos.
Fonte - TSF / SIC Notícias / Foto:INEMArquivo