Mulheres sofrem o dobro: estudo global revela enxaquecas mais longas e incapacitantes
Investigação com 41 mil pessoas em 18 países aponta que dores de cabeça duram mais e geram maior perda de saúde no sexo feminino
Publicado em 19/01/2026 15:54 • Atualizado 19/01/2026 16:00
Saúde
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Um estudo multinacional, envolvendo mais de 41 mil pessoas de 18 países, revelou que as mulheres não só têm maior propensão a enxaquecas como também sofrem delas durante períodos mais longos do que os homens. Publicada em dezembro de 2025 na revista The Lancet, a investigação destaca que a duração das dores de cabeça femininas é, em média, o dobro da masculina.

Segundo os autores, este fenómeno traduz-se numa perda de saúde significativamente superior: 739,9 anos vividos com incapacidade por 100 mil habitantes entre mulheres, comparados com 346,1 anos nos homens. Um dos fatores apontados para esta diferença é o uso excessivo de medicamentos: mais de 50% das perdas atribuídas à cefaleia do tipo tensional e 15% das enxaquecas derivam de automedicação frequente.

O estudo detalha que as mulheres passam mais tempo com dor em todas as idades, e que a incidência de enxaqueca aumenta com a idade — de 9,3% antes dos 35 anos para 12,77% acima dos 50 anos. Possíveis causas incluem flutuações hormonais relacionadas com estrogénio, perimenopausa e menopausa, embora os investigadores sublinhem que outros fatores ainda estão a ser estudados.

Em Portugal, estima-se que uma em cada cinco mulheres sofra de enxaqueca, sendo que 79% enfrentam crises superiores a quatro dias por mês, e 5% convivem diariamente com a dor, segundo dados da associação MiGRA. A entidade alerta ainda que a maioria dos doentes (93%) se sente incompreendida, incluindo por profissionais de saúde, evidenciando a necessidade de maior sensibilização e cuidados específicos para mulheres afetadas.

Foto:istockphoto

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